quinta-feira, 22 de julho de 2010

02 - A festa

O sábado corria tranquilo, com muita comida, bebidas e diversão. Todos a comemorar o aniversário de Vitor, que agradecia ao Marcos por ter cedido sua casa para a festa. Um pouco embriagado, mas, animado em meio a tanta bagunça, Vitor propõem aos amigos terminar a festa na casa da praia dos seus pais, que estavam viajando para o exterior. Bebidas no carro e malas prontas. Todos pegavam os seus carros e dirigiam-se para iniciar a tal festa na praia.
A noite ia chegando e a beira da piscina Júlia, Héliote e Marcos deparavam-se sentados com os pés na água e braços esticados como apoio para trás. A conversar sobre o tempo, sobre o passado. A vida havia tomado caminhos diferentes para eles, Marcos aos 10 anos foi adotado por um casal de médicos, aos 17 já estava iniciando a sua faculdade na mesma área. Júlia foi adotada aos 12 anos por um casal de executivos, estava no último ano da faculdade de Administração. Héliote por sua vez não teve tanta sorte quanto os amigos. Passou toda sua infância e metade da adolescência no orfanato. Através de sua força de vontade e pequenas oportunidades iniciou sua carreira na área tecnológica, aos 18 anos serviu à marinha. Não tardou para que fizesse parte de um pequeno grupo tático. Desdobrando-se humanamente, ainda arruma tempo para terminar o seu curso de Engenharia.
“nós nunca iremos nos separar, eu sempre vou cuidar de vocês”, relembrava Júlia dos dizeres de um pequeno e inocente Marcos. Todos sorriam naquele clima de saudosismo.
- Bem, acho que é hora de irmos pra festinha na praia, mas antes posso conversar um pouco com você Marcos. Dizia Héliote, enquanto olhava para o sol se pondo.
Júlia foi arrumar suas coisas e deixou os rapazes a conversarem. Héliote queria saber sobre suas fortes dores de cabeça, queria a opinião de Marcos. Mas pra sua surpresa, encontrou um semblante de espanto e incompreensão no rosto do amigo após explicar o que havia lhe acontecido. Marcos deparava-se com o mesmo problema e inexplicavelmente, acontecido no mesmo dia.
Os amigos deixaram a conversa ali, pois Júlia trazia em sua volta o seu belo sorriso e a empolgação com um violão na mão. Ela adorava as canções de Héliote e sabia que a festa na praia sem suas músicas não seria a mesma cosia. Todos se arrumaram e saíram para a praia.
Alguns dentro da casa, outros na areia da praia. Todos muito sorridentes e aparentemente bêbados. Quando os três chegaram, Júlia com o violão na mão, todos resolveram fazer a fogueira e reunir-se na areia. Em uma daquelas situações constrangedoras e inegavelmente difíceis de sair. O tímido Héliote teve que revelar aos amigos os seus dons artísticos. Com a voz embargada e um tanto nervoso, puxou os primeiros acordes conhecidos por todos.
O violeiro logo foi se soltando e envolvendo os amigos com canções que ele mais gostava, de olhos fechados nem percebia os olhares apaixonados a sua volta ao cantar:
“A madrugada sintoniza frases feitas, pensamentos, sentimentos e me leva até você.
Abro a janela, olho pra lua. Sinto tua presença, minha sentença um condenado a amar você...
No meu mundo o teu sorriso é o meu sol. Nos teus braços é o mundo que eu quero estar.
O meu jeito sem juízo, com o seu jeito bem mais tímido é a combinação do que é amar. (...)”
Era como se ele soubesse o que ela sentia, estando tão próxima e ao mesmo tempo tão longe. Enquanto isso, os casais se abraçavam e apreciavam o clima romântico, e ela, com os joelhos curvados e abraçados, baixava a cabeça e deixava uma lágrima rolar.
Héliote não havia se dado conta do efeito que causará nos casais e principalmente nela. Era hora de finalizar o show melódico, e partir para canções um pouco mais agitadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário