Após aquele fim de semana os amigos custaram a se reunir. Héliote acarretado de serviço e atividades da faculdade. O passar dos meses arrastaram-se tenebrosamente estressantes. Já estava difícil lidar com uma rotina enfadonha nas forças militares. Haviam mudado Héliote de função, o que lhe desagradará profundamente. Acostumado a lidar com sistemas de inteligência e alta complexidade, se viu perdido em passar as suas manhãs e tardes cuidando de armamentos e antiguidades da marinha.
A ponto de pedir dispensa, viu-se obrigado a conversar com o seu superior Capitão. Já não vendo mais razões para continuar em um serviço que estava a lhe desagradar tanto, Héliote chegou a acreditar e a cogitar a possibilidade de abandonar sua brilhante carreira militar. Mera ilusão.
O seu superior já esperava tal reação e apenas aguardava o momento exato para uma conversa a portas fechadas com Héliote.
Era um fim de tarde, sexta-feira. Passando por um beco escuro e sombrio achava-se a sala do Capitão de Operações Especiais. Sabendo da ânsia por desafios de seu oficial. O Capitão revelou a existência de uma organização minúscula e secreta dentro do militarismo, chamava-se Trindade. Uma organização de inteligência e espionagem, comum aos três poderes militares, assim prosseguia o Capitão a dizer.
- Tem interesse em fazer parte dela tenente? O Capitão agora olhava Héliote nos olhos.
- Senhor, como posso ser indicado para algo tão secreto? Tudo que vim fazendo nos últimos tempos foi cuidar de armas. Héliote ainda não conseguia entender o motivo para tal convite, a razão para algo tão repentino.
- Não se faça de tolo tenente, sabe muito bem das suas participações nas últimas missões. Há muito tempo você vem sendo observado e cogitado. Estes últimos meses foram um teste de paciência, mas a opção é sua. O que me diz tenente? O clima ficava cada vez mais pesado na sala abafada e parcialmente escura.
- O que eu preciso fazer para entrar? Héliote mesmo sem entender não conseguia resistir à idéia de algo tão desafiador.
- Você terá que mostrar ser digno. Amanhã apresente-se as 08h da manhã para uma entrevista.
- Entrevista senhor?
- Sim tenente. Encerramos nossa conversa por aqui. Dispensado.
Héliote não conseguia entender qual a razão para existir uma entrevista, mas sabia que tratava-se de algo sigiloso e aparentemente muito importante. Mesmo sem tantas informações aguardava ansioso com a chegada do novo dia.
No dia seguinte Héliote apresentava-se no horário previsto. Para sua surpresa, foi conduzido a uma sala da qual nunca tinha sequer ouvido falar dentro de sua unidade. A placa na porta com os dizeres, “Só os fortes sobrevivem”. Ao adentrar na sala, mais surpresa. Tratava-se de um auditório, e nele, existiam cinco aspirantes almejando sua entrada na Trindade.
Em requintes de etiqueta militar, os jovens tenentes batiam continência para a entrada do coronel Teodor.
- Todos os cinco aqui presentes fazem parte de equipes de inteligência em seus batalhões e ao longo do tempo vem demonstrando muita competência em suas missões. Através de votações secretas vocês foram escolhidos para fazer parte de um sistema diferenciado. Que age de forma singular dentre as forças armadas. Fazemos parte de um serviço de inteligência e infiltração. Depois de hoje suas vidas receberão novos sentidos para este país. Suas carreiras como militares serão aparentemente encerradas. No entanto, estarão a serviço de algo maior. Terão seus dias aparentemente livres, serão desligados de seus batalhões e equipes táticas, servirão apenas a nós, a nossa causa. Suas novas missões serão repassadas por suas novas equipes. E quando mostrarem-se dignos, entenderão um pouco mais sobre esta organização. No mais, estão dispensados. Encerrava o coronel com o seu discurso.
Os cinco oficiais estonteados com tantas informações novas e vagas, caminhavam para mais uma nova sala até então desconhecida.
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