Eram 6:00 da manhã e Héliote acordava para um novo dia. Acordou com o coração disparado, mal tinha despertado e seu cérebro já sabia que aquele realmente seria um novo dia, afinal de contas ali começava a continuação de uma grande reviravolta na sua vida.
Arrumou-se ansiosamente e por mais estranho que pareça lembrou-se da sensação dos primeiros dias de aula, que enfrentou quando ainda morava em uma casa de amparo às crianças órfãs, e em sua cabeça veio os sorrisos de Júlia e Marcos. Junto a ela veio uma pequena pontada na cabeça, não ligou para esse fato e por fim vestiu a sua pólo de sempre e saiu.
Chegar à Ohmega é no mínimo um deslumbre a visão – Pensou Héliote. O lugar era imenso, afastando-se da cidade pela rodovia viam-se apenas planícies e repentinamente um muro começava. Começava e continuava. Estendia-se por uns 15 km ao longo a rodovia, até chegar ao portão principal, dali em diante o muro perdia-se de vista. Ao chegar na guarita principal, que era inclusive fortemente defendida por um guarda carrancudo, Héliote foi questionado:
- Imprensa ou visitante? - perguntou o guarda.
- Estagiário – respondeu Héliote.
O guarda fez uma cara de que tentava se lembrar de algo e falou:
- Você deve ser novo. Crachá?
- Ainda não possuo, fui aprovado ontem. Eles realmente levaram a sério essa história de início imediato.
- Espere aí então, vou checar – O guarda pegou seu walk-talk falou uns códigos não inteligíveis, escutou outros da mesma forma e disse:
- Entrada liberada – E magicamente a cancela se abriu para Héliote.
Passando pelo portão principal da Ohmega, você entra em uma rua perpendicular ao sentido da avenida. Na verdade a rua mais parecia uma avenida, de tão larga que era. Ao largo dela, há árvores que alamedam o caminho, e arbustos menores, bem podados e floridos. As árvores não tampavam a visão dos lados, então era possível ver grandes complexos, todos bem distantes. Mas o que impressiona mesmo é o fim da avenida de entrada.
Com um enorme estacionamento, um portal de entrada imenso com madeira escura, o prédio de sete andares e por volta de 400 metros de comprimento é o que se pode se chamar de imponente. Completamente revestido por – pelo que se pareceu a Héliote – uma única peça de vidro, refletia uma matriz de cores interessante, indo do verde ao azul. Héliote entrou na recepção, e logo então, uma mulher loira e de rosto cheio, perguntou:
- Pois não?
- Bom dia, vou começar meu estágio hoje, onde é o setor de Projetos?
- Bem vindo Héliote, estávamos aguardando você. Antes de ir ao seu setor você irá passar por uma ambientação. Espere aqui na recepção que irei chamar o responsável – Ela disse de um modo quando quase instantâneo, o que pareceu para Héliote excesso de treinamento.
Héliote ficou o que lhe pareceu ter sido uns 15 minutos aguardando, quando chegou uma mulher que aparentava ter uns 35 anos, não muito bonita, com um ar simpático que parecia meio forçado.
- Bom dia. Prazer, Eliza.
- Prazer, Héliote.
- Vamos dar uma volta pelo complexo Ohmega. Tem um carro nos esperando – Engatou Eliza, após a apresentação.
Passaram por várias construções na entrada, enquanto Eliza explicava á Héliote do que cada uma se tratava. Enquanto iam se afastando da entrada, cada vez a segurança do local ia aumentando.
Chegaram a um complexo que lembrava um hangar de avião, grande, revestido com folhas de aço, e teto em arco até tocar o chão. Mas esse tinha um cerca independente, guaritas de vigias ao longo dela com guardas fortemente armados. Agora que Héliote reparara nisso, aquilo lhe pareceu mais uma fortaleza militar, do que qualquer outra coisa.
- Por que a segurança é tão forte nesse e em outros complexos específicos? – Perguntou Héliote à Eliza. Heliote notou Eliza e o motorista trocarem olhares de soslaio.
- A Ohmega trabalha com tecnologia avançada, precisamos defender nossos trunfos de negócio – Respondeu Eliza.
- Mas é necessá... – Héliote não conseguiu terminar a frase, pois nesse momento Eliza o interrompeu.
- Termina aqui nossa apresentação das dependências da Ohmega, agora você irá conhecer o seu setor.
Quando Héliote ia falar algo mais, o seu celular toca. Era o capitão Gonçalves.
-Alô?
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